Nascimento e filiação
Maria Montessori nasceu em Chiaravalle, Província de Ancona, centro da Itália, em 1870 (ano da unificação italiana). Seu pai, Alessandro Montessori, era um homem antiquado, de temperamento conservador e de hábitos militares (foi soldado na juventude e, posteriormente, servidor público). Sua mãe, Renilde Stoppani, era educada, estudiosa e muito religiosa.

A infância
Aos 10 anos, Maria adoeceu severamente. Seus pais ficaram preocupadíssimos, porém ela os tranquilizou:
“Não temam, não morrerei! Tenho muito que fazer!”
Formação acadêmica / profissional
Aos 14 anos, em Roma, inicia o curso secundário no Instituto Técnico Leonardo da Vinci.
Aos 20 anos, obtém licenciatura na cadeira de Físico-Matemática.
Aos 22 anos, diploma-se em Ciências Naturais pela Faculdade de Ciências Físicas, Matemáticas e Naturais, da Universidade de Roma.
Ao se deparar com uma mulher carregando uma criança embrulhada em um jornal, Maria, movida pela indignação, inscreve-se na Faculdade de Cirurgia da Universidade de Roma. Apesar da oposição do diretor, Maria segue sua nova opção, embora alijada pelos colegas. Após apresentar brilhantemente sua primeira Conferência, Maria é, então, aceita pelos colegas.
Sempre preocupada com o contexto social, ainda durante o curso de medicina, Maria representa a mulher italiana no Congresso Internacional dos Direitos Femininos, em Berlim.
A partir desse momento, seus discursos foram transcritos em vários jornais do país.

Aos 26 anos, diploma-se em Medicina. Tornou-se uma das 1as. médicas italianas. Defende tese de psiquiatria e é indicada para médica-assistente da Clínica Psiquiátrica da Universidade de Roma e, ali, descobre o potencial das crianças.
Vai à Paris, passa três anos estudando as experiências de Itard e Séguin. Maria ocupa-se horas observando as crianças recolhidas nos asilos e, após acolhê-las e trabalhar as possíveis habilidades, apresenta-as para exame nas escolas ditas “normais” de Roma; o sucesso é reconhecido.
Aos 28 anos, termina o doutorado em Ciências Médicas e passa a dirigir o Instituto Ortofrênico, onde ficavam as crianças psiquicamente afetadas. Durante sete anos, desenvolveu um trabalho com estas crianças, faz conferências e, afinal, descobre sua vocação para a Educação.
Aos 30 anos, rege a cadeira de Antropologia Pedagógica e Higiene do Instituto Superior de Magistério Feminino de Roma. Repassa sua vida e decide estudar Filosofia, Psicologia e Pedagogia com enfoque na criança considerada normal.

Em 1907, surge a 1a Casa dei Bambini, no bairro operário de São Lourenço. Maria descobre o poder da livre movimentação, opção pelas várias atividades...
Três meses após, surge a 2ª Casa dei Bambini em Roma. A rainha Margherita de Savóia preconiza: uma nova filosofia de vida surgirá disto que estamos aprendendo com estas crianças. Uma educadora religiosa vaticina: esta descoberta é mais importante que a de Marconi.
Cria-se a Sociedade Montessori em Roma. Outros centros montessorianos são abertos. Maria publica livros, inicia os cursos de formação de professores. Ao fazer um tour de conferências nos Estados Unidos, Maria participa da fundação da American Montessori Society, a qual Graham Bell é eleito presidente. Outras “Casa dei Bambini” são abertas e, em Roma, surge a Opera Montessori da qual a rainha mãe é patronesse. Freud, cuja filha é aluna de uma das “Casa dei Bambini”, escreve à Maria e diz-se honrado em assinar seu nome ao lado do dela. Maria é solicitada para conferências em todo mundo e mais um interesse surge em sua vida: a Educação para a Paz.
Aos 52 anos (1922), na Itália, o movimento montessoriano continua a prosperar, embora, após a 1ª Grande Guerra, a Itália torna-se um país de regime fascista. Após a instalação do 1º Gabinete organizado sob a direção de Mussolini, as escolas montessorianas de Nápoles são prontamente fechadas.
Em 1926, para não contrariar a simpatia popular, Mussolini convida Maria para uma entrevista e afirma em público que há, na Itália, três grandes M's: Mussolini, Marconi e Montessori.
Aos 60 anos (1930), inaugura curso em Roma, encontra-se com Gandhi e, um ano mais tarde, publica "Educação para Paz". Nesta época, Maria vive em Barcelona, quando surge a guerra civil Espanhola. O Rei Jorge VI manda uma armada buscar Maria e seus familiares para levá-los à Inglaterra.
Aos 69 anos (1939), Maria ministra um curso na Índia para 300 professores.
Aos 70 anos (1940), com a guerra na Itália, Maria fica protegida pela Sociedade Teosófica, já que a Índia era parte do Império Britânico. Seu filho, Mário, está num campo para civis em Amednagar, porém Maria recebe uma carta do vice-rei da Índia, que lhe dá de presente autorização para seu filho visitá-la em seu aniversário.
Aos 76 anos (1946), retorna à Europa depois de 8 anos no Oriente. Em Londres, dá o 1º Curso Internacional do pós-guerra, com a colaboração de seu filho Mário. Continua seu trabalho, publica novos livros, recebe o título de Doutor em Letras pela Universidade de Durhan (Inglaterra); as instituições montessorianas reflorescem.
Aos 77 anos (1947), após 9 anos de afastamento de seu país, Maria é convidada e homenageada, no Parlamento italiano pelo Ministro da Instrução Pública.
Aos 78 anos (1948), retorna à Índia e a vários outros lugares do mundo.

Quase aos 82 anos (1952), no dia 6 de maio, Maria é convidada para ir à África. Maria sabe que se há crianças no mundo que precisam de ajuda, são aquelas das nações africanas. Seu filho argumenta a distância e a sua avançada idade, porém Maria sugere que vá pegar um atlas. Mário vai e ao retornar encontra-a livre para trabalhar apenas através da inspiração de seus discípulos, que, como nós, querem perpetuar a Educação para a Paz no Mundo.
Quadros vivos apresentados pelo Centro Educacional Montessoriano Reino Infantil, em São Luis do Maranhão, em comemoração ao Centenário da 1ª “Casa dei Bambini”, em Roma, no bairro de San Lorenzo. 1907-2007
Texto elaborado pela Creche-Escola PETRA-Pequeno Trabalhador, do Rio de Janeiro. |